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Sou estudante do 8° semestre do curso de Administração na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Atualmente moro em Serra Negra - SP, cidade do interior do Estado de São Paulo. Me siga nas redes socias: Twitter: https://twitter.com/vinicius_sn | Facebook: https://www.facebook.com/vinicius.sousa.3192 | Snapchat: viniciuslapa | Instagram: https://www.instagram.com/viniciussol/

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Filme abre discussão sobre temas como "preservação" e "conexão" com a natureza, mas a disseminação de tais conceitos não significa sua total compreensão

Interessantes e reveladores o ensaio sobre o filme Avatar publicado no Caderno Cultura do último dia 2 de janeiro, da historiadora Elenita Pereira, e o comentário do colunista Nilson Souza poucos dias depois. São reações à erupção de informações e conceitos “ecológicos” que sofremos, dada a crescente problemática ambiental que enfrentamos (de local a global: zoneamento do RS para as papeleiras, Copenhague e as mudanças climáticas). A mensagem do filme e as mensagens dessa erupção são claras, de incompreensão por nossa cegueira frente ao óbvio. No entanto, concordando com as conclusões gerais, acho que várias das questões sobre conservacionismo (a ecologia enquanto movimento social) encontradas na mídia jornalística e ficcional deveriam ser melhor aprofundadas. A ciência está sempre em movimento, mas precisa ser chacoalhada de sua lentidão natural por um diálogo com a sociedade. Nossa sociedade não cobra isso, em nosso país de ciência incipiente, onde o interesse para na tecnologia. Assim, aceitamos os conceitos e informações sem uma discussão maior de seu teor. Estamos iniciando o Ano da Biodiversidade, mas alguém aí pode definir biodiversidade? Temos de preservá-la e isso todos sabemos, mas o que ela significa e porque é importante? Vários conceitos advindos da “ecologia” (na verdade conservação) acabam adotados na linguagem ao ponto de virarem chavão. Um exemplo: a professora Elenita menciona que o filme nos desperta para a “perda de conexão com a Natureza” dos seres humanos. Bem, continuamos altamente conectados ao ambiente, ou nossas cidades e pontes não sofreriam com enxurradas. Ou nossas safras não dependeriam do clima, afinal ainda comemos o que nossos antepassados distantes selecionaram de seus ambientes. Sanitizamos e moldamos o meio a nosso bel-prazer, sem conhecer os riscos disso. As Ciências Ambientais servem para tentarmos entender esses riscos, permitindo optar por evitá-los, ou descobrir novas maneiras de reduzí-los. Continuando na verve questionadora, o que é a Natureza? Porque ainda associamos Natureza a “flora e fauna”, a preservação de espécies “bandeira” como pandas e tartarugas marinhas? Sabemos que as plantas “limpam o ar”, mas pouco divulgamos que elas dependem de bactérias e fungos mutualistas “escondidos” no solo junto às raízes. Os principais processos de ciclagem de nutrientes dependem de microrganismos os quais nem conhecemos direito. E são mariposas, vespas, morcegos (e as mais simpáticas abelhas e borboletas) os responsáveis pela polinização, sem a qual não haveria reprodução vegetal – e nem muitos dos frutos que temos em nossas mesas. Será que para reaver o “contato com a Natureza” as pessoas estariam dispostas a contatar essa Natureza de insetos, fungos, decomposição, de parasitos? Dois fulcros culturais da educação ambiental me parecem ser nossos conceitos de belo e de justo. A doença que mata uma ninhada de jaguatiricas é um processo natural. Se a espécie está sob risco de extinção provocado por nós, deveremos adotar medidas para evitar essa doença. Mas de outra forma, a natureza feia e fria deveria seguir seu curso e o melhor que fazemos é observar os cadáveres. Como revelar esse paradoxo ao olhar de quem está sendo educado para agir pelo bem e pelo justo? A Ciência é assim também feia e fria? Outros exemplos podem ser arrolados nesse “telefone sem fio” entre ecologia básica e aplicada até a opinião pública. Mas termino com um problema crucial pouco abordado sob esta ótica. Por trás do arquétipo do humano explorador, que o filme Avatar “explora”, da duplicidade descobridor/aproveitador, está um instinto humano de multiplicação. Nossa história é de expansão: da África ao resto do globo, e depois os mais diferentes povos conquistando vizinhos próximos e distantes. Sem defender ou justificar nossa competição intraespecífica, o problema está em frear a nós mesmos: o desejo de deixar descendentes, o imperativo reprodutivo. Na população, isso significa taxas de crescimento mais que exponenciais ao longo da História. Existem iniciativas globais para deter essas taxas, mas tudo muito brando para não mexer em brios religiosos ou ideais de crescimento econômico das nações. Minha proposta aqui é que não reconhecemos que essa é a questão última por trás de todos os problemas ambientais: com menos humanos no mundo, impactaríamos menos o ambiente e resolveríamos mais facilmente esses problemas. Muitos perguntam, para que a biodiversidade? Mas para que 6 bilhões de humanos? Os governos de hoje não concordam nem em reduzir emissões de carbono – concordariam em reduzir suas populações? Imediatamente lembramos a China e seu autoritarismo. Quem abre mão de sua liberdade pessoal de procriar, mesmo por um bem maior, ou por um bem futuro? Nada de novo: esta questão ética fundamental foi proposta em 1968 por Garrett Hardin, a “tragédia dos comuns”. Sem uma reorganização de nossas escalas morais, uma mudança na própria natureza humana, continua não parecendo possível uma resolução para esse problema. Talvez esse viesse a ser realmente o diferencial de nossa espécie. A vida tem por meta perpetuar-se, e para isso só sabe reproduzir. Outrora pensamos sermos o píncaro da criação, hoje abandonamos essa ideia às fronteiras da racionalidade. Ainda restam os que imaginam sermos o topo na escada do processo evolutivo, mesmo sendo claro que tal processo não progride. Ao contrário, agimos exatamente como a mais humilde bactéria, ou erva, ou morcego: enquanto houver espaço e recursos, aumentaremos em número, somos dominados pelo imperativo reprodutivo. Isso ocorre tanto pessoal quanto coletivamente – as nações só pensam em expandir-se. Para uma humanidade com relação positiva com seu ambiente, uma humanidade menor em tamanho é necessária, a biosfera não suporta tantos de nós. Talvez seja o maior desafio de todos: adquirirmos a verdadeira consciência ecológica, a consciência de que precisamos nos refrear em nossa natureza mais básica.

* Professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da UFRGS

Por MILTON MENDONÇA JR. * Fonte: Jornal Zero Hora

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