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terça-feira, 13 de julho de 2010

Crueldade com cavalos em Massachusetts deu origem a movimento para prevenir maus-tratos a animais

Em março de 1868 uma cena chocante mudaria para sempre a vida e o destino dos animais em Massachusetts, Estados Unidos. O fato ocorreu em uma prova de velocidade e resistência, na qual dois cavalos, saudáveis e fortes, foram brutalmente colocados em uma disputa impossível: correr, e cada um deles carregando o excessivo peso de dois “esportistas”, um trajeto de 40 milhas (cerca de 65 km) por acidentadas e irregulares estradas de terra americanas. A competição, como não poderia deixar de ser, terminou de forma trágica: os dois animais, exauridos até o último fôlego, não resistindo ao esforço, morreram. A notícia foi divulgada nos principais jornais da região.

Entre as inúmeras pessoas que fi caram sabendo da atrocidade, destacou-se George Thorndike Angell, na época respeitado advogado criminalista. Inconformado com a crueldade, Angell imediatamente publicou uma carta de protesto no Boston Daily Advertiser. Entre inúmeras outras consequências, o clamor do advogado americano chamou a atenção da infl uente bostoniana Emily Appleton. Menos de um mês depois da publicação de seu texto, Angell, apoiado por Aplleton e outros 1,2 mil cidadãos locais, fundaria a Sociedade de Massachusetts para Prevenção da Crueldade contra Animais (MSPCA, na sigla em inglês), da qual seria o primeiro presidente. Fizeram parte da primeira diretoria proeminentes personalidades como John Quincy Adams II e Ralph Waldo Emerson.

Nesse mesmo ano de 1868, Angell lançaria em Boston Our Dumb Animals, a primeira revista que tinha por objetivo “falar por aqueles que não podem falar por eles mesmos”. A primeira edição teve a enorme tiragem de 200 mil cópias. Tal foi a intensidade do projeto que a própria polícia bostoniana colaborou com a divulgação da ideia e distribuiu, pelas ruas da cidade, nada menos que 25 mil exemplares da publicação. A execrável corrida tocou tão profundamente Angell que, alguns meses depois da fundação da MSPCA, ele seria um dos responsáveis pela aprovação da lei proibindo a crueldade contra animais em todo o estado de Massachusetts.

Rapidamente a ideia se espalhou e surgiram leis e associações similares no país inteiro. George T. Angell destacou-se também por sua atuação na humane education, fi losofi a e ação que tinha por objetivo ensinar e despertar nas pessoas de todas as idades, mas principalmente nas crianças, os princípios de bondade, compaixão e respeito por todas as formas de vida.

Seu sucessor foi o veterinário e pastor batista Francis H. Rowley, que assumiu a presidência da MSPCA em 1910. Ao aceitar tamanha incumbência, Rowley seria o responsável por acrescentar aos feitos de Angell outra nobre perspectiva à causa dos animais em seu país. Seguindo os mesmos passos rápidos e atuantes de seu antecessor, em menos de cinco anos realizou duas grandes façanhas para a sociedade protetora da qual fazia parte: conseguiu adquirir a primeira ambulância para o transporte de animais e fundou o primeiro hospital veterinário ligado à instituição, o Angell Memorial Animal Hospital. Em seu primeiro ano de atividade mais de 4 mil animais foram atendidos e, no ano seguinte, esse número atingiu a casa dos 10 mil.
 
Se entre os anos de 1868 e 1909 Angell, homem que conhecia as leis, procurou, com grande sucesso, dar voz aos animais, a partir de 1910 iniciava- se uma nova fase na qual se desenvolveria a sutil arte de ouvi-los, para tentar curá-los.

Na longa história das relações entre o homem e os animais, a complexa área da veterinária ocupa um nicho de destacada importância. Uma considerável parcela dos médicos veterinários não apenas foi e é capaz de “ouvir”, entender e curar essas criaturas, como, muito mais pungente, em inúmeros momentos esses profissionais foram e continuam sendo testemunhas oculares de toda a sorte de maus-tratos impingidos aos animais pelo homem. Além da perspectiva
humanitária, os meandros da profissão sempre forneceram para muitos deles elementos candentes para compreender clinicamente a crua realidade vivida, muitas vezes, por essas criaturas.

Trilhando essa nobre tradição de dar voz e “ouvir” animais indefesos, em 2008 surgia nas livrarias americanas um livro curiosamente intitulado Tell me where it hurts (Broadway Books, Nova York, publicado no Brasil pela Ediouro com o título Diga trinta e três). Na capa vemos a fotografia de um pequeno cão, de olhar abatido, e uma mão humana segurando contra o peito do animal um estetoscópio. O autor, dr. Nick Trout, é um cirurgião veterinário que resolveu contar, de forma sensível e bem-humorada, para leigos e profissionais da área, um longo dia de trabalho. Nesse relato, entre descrições de cirurgias e conversas com colegas de trabalho e donos de animais, Trout procura demonstrar suas relações com seus pacientes e a difícil arte de escutá-los e entendê-los. Ele faz parte de um grupo de 70 veterinários que atendem e “ouvem” anualmente 50 mil cães, gatos e animais exóticos naquele que é considerado hoje um dos maiores hospitais veterinários do mundo, o Angell
Animal Medical Center, localizado em Boston, perto da MSPCA. Nesse hospital permanecem, em larga escala, os mesmos ideais iniciados no século 19 por pessoas como o advogado George Thorndike Angell e o veterinário Francis H. Rowley.

Feliz aliança entre a arte de falar e ouvir. Defender e curar.
 
por Nelson Aprobato Filho 

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